COMO ALGUÉM SE TORNA BABALAWO?
Por: Oluwo Babalawo Awo Ifalana Anifalajé
Por: Oluwo Babalawo Awo Ifalana Anifalajé
“Os Babalawôs são divinizadores treinados, e dedicados sacerdotes de Ifá na comunidade
yorubá da Nigéria.
Na sociedade yorubá tradicional, um Babalawô é um médico, um farmacêutico, um
fitoterapeuta, um pisicologo e o divinizador mais popular que o povo procura para consultar, aconselhar, orientar e tratar-se.
Quando uma gestante está para dar a luz, quando uma pessoa está seriamente doente
ou quando há risco de uma epidemia, a ajuda do Babalawô é requisitada, pessoalmente, ou por alguém em nome do necessitado. Devemos ressaltar, entretanto, que a posição única do Babalawô dentro da sociedade yorubá não é conseguido através da linhagem ou honra. O título de Babalawô somente pode ser conseguido após muitos anos de rigoroso treinamento, humildade e experiências. Detalhes sobre o treinamento falaremos depois.
A qualquer hora, o Babalawô pratica divinação usando òpèlè-Ifá ou ikin. O uso destes
instrumentos o habilitarão para conhecer a natureza dos problemas de seus clientes. O
divinizador baseia-se na palavra dos deuses. Ele serve como um link entre os dois mundos: o efêmero e o eterno, o material e o espiritual. Assim como um médico sempre leva com ele um estetoscópio, um técnico tem uma chave de fenda e alicate para uma emergência, um Babalawô carrega seus instrumentos divinatórios quando ele é convidado para divinizar numa cidade ou vilarejo próximo.
Estas são as duas maiores categorias de Babalawôs:
Awo Olódù
O Awo Olódù é a mais reconhecida e a mais conhecida classe de Babalawô na sociedade
yorubá da Nigéria. Eles não são somente os divinizadores, mas também os cultuadores de Òrúnmìlà.
Awo Elegan
O Awo Elegan, por outro lado, são aqueles Babalawôs que não são completamente
engajados com a Divinação Ifá. Um Babalawô Elegan pode especializar-se em uma, ou nas duas áreas.
Eles consistem em: Agbamole e Sawosesegun.
O Awo Agbamole atua muito mais na área religiosa de culto, propiciação oferendas às divindades. É mais religioso do que medicinal.
O Awo Asasesegun, são aqueles Babalawôs que combinam medicina com divinização, para a cura de doenças. Normalmente, eles são mais conhecidos como curadores do que
divinizadores.
Para qualquer categoria que um Babalawô possa pertencer, o código de conduta que a
todos deve ser respeitado:
• Um babalawô é sempre generoso, fiel, sábio e bom conselheiro para os membros de sua
comunidade ioruba tradicional.
• Um Babalawô, no desempenho de suas funções, sempre acredita que ele tem uma
obrigação a cumprir, em respeito ao cliente, e isso ele faz de bom grado.
Os Babalawôs são altamente respeitados, não somente por sua sabedoria e inteligencia,
mas também por sua fidelidade e generosidade para com os membros da sociedade. Dentro das circunstâncias normais, ninguém os insulta ou agride-os.
Mo ru eewo orisa,
Eu digo que isto é tabú para Òrìsà
Enikan o gbodo na babalawo,
Ninguém bate no babalawô
To ba gbofa yanranyanran lotu Ife
Aquele que é versado em Ifá, na cidade de Ifé.
Geralmente, todos conhecem seus direitos religiosos e também guardam as leis civis. Um babalawô, por seu treinamento e prática, está preparado para aconselhar e orientar qualquer pessoa que o consulte. Ele conhece a vida e o ensinamento de Òrúnmìlà, e quando ele diviniza para seus clientes, ele interpreta unicamente a mensagem de Òrúnmìlà através dos signos de odù.
Mas, se um Babalawô não receber um treinamento apropriado, ele pode ter alguns
problemas na interpretação dos sinais de odù, e então entregar a mensagem errada para o cliente. Nesta circunstância, os clientes cuja confiança na divindade Ifá não é forte o suficiente, pode reclamar de sua inabilidade para prever todas as coisas.
Ope-oseru,
Ope (Òrúnmìlà) não é desonesto
Oniki ni o gbofa,
É o cantor que não é versadoem
Ifá
Ohun a ba b’Ifa.
Tudo que perguntamos a Ifá
Nifa i so.
Ifá nos revela.
Se isso acontecer, é o Babalawô que "mal interpretou" a divindade. Qualquer pessoa que
passou pelos rigorosos testes de treinamento em Ifá, será hábil para solucionar os problemas dos seus clientes. O Babalawô baseará seu conhecimento no treinamento que adquiriu. Aqueles que usam formulas para encontrar os problemas ocultos de seus clientes não são verdadeiros Babalawôs, e de fato, eles não estão aptos para serem um. Esta classe de Babalawô (se existe), são desonestos e pagarão caro por isso.
É altamente recomendado a alguém que aspire ser Babalawô, receba treinamento
adequado de um versado e experiente Babalawô, para que ele possa estar habilitado para
assumir as responsabilidades de importantes posições que ele encontrará, mais tarde, na
comunidade.
Quando em treinamento, ao futuro babalawô será ensinado os signos dos odù, e aprenderá
guardar de memória um grande numero de ese Ifá (histórias) associadas com os odù,
começando com Ejìogbè ( o primeiro odù do corpus). Após o aprendizado das histórias
necessárias em cada um dos dezesseis principais odù, ele passa para as histórias dentro dos [240] odù menores (omo-odù). O estudo dos ese-Ifá requerem profunda concentração, caso contrário, o treinamento será um tempo perdido na repetição das histórias dos odù diversas vezes.
Em seu trabalho, Abimbola (1976, p. 18-24) descreve o sistema de treinamento e
iniciação de um futuro babalaô. Entretanto, há outros fatos que valem a pena conhecer, para entender melhor o processo de treinamento de um futuro babalawô.
Antes do iniciante colocar a sua mão sobre qualquer coisa, divinização é feita para ele
para saber o odù que está destinado a ele. O termo usual dos Babalawôs para este conceito é ‘odù tò bí enìkan’, o qual significa literalmente “odù que dá nascimento a alguém”
(neste caso,o treinamento).
É este odù que guiará o mestre Babalawô, a forma como treinará a pessoa. O estudante
começa seu aprendizado com a identificação dos signos de cada um dos dezesseis principais odù e um òpèlè [não oficial] é o melhor instrumento de instrução para este propósito.
O òpèlè usado para o treinamento é feito de pedaços de cabaça (paaakara), cuja
aparência é inferior ao òpèlè usado pelo Babalawô para divinização. O processo de aprender os signos de odù é chamado de sisi’pèlè (abrindo o òpèlè). Este termo deriva do fato de que o Babalawô Mestre manipula o òpèlè com as mãos para formar os origens da cada odù quando está ensinando seus estudantes.
É preciso anotar que apenas os principais odù são ensinados desta forma. Após o
estudante ter dominado os signos dos dezesseis odù, ele deverá ser examinado por seu
mestre, e alguns poucos Babalawôs. A performance do estudante determinará se ele irá para o aprendizado dos odù menores.
Assumindo que o estudante tenha dominado os [dezesseis] principais odù, ele começa
aprender os odù menores. Seu mestre agora usa o método de lançar o òpèlè [paaakara] para ensina-lo.
Com o [lançamento do] òpèlè, qualquer odu poderá surgir, e neste caso o estudante não
somente aprenderá os odù menores, mas também revisará os principais odù.
Um estudante aprende melhor assessorando seu mestre, quando ele (o mestre) diviniza
para seus clientes. O estudante aprende as histórias de cada odù e o tom correto que distingue os versos de Ifá de outras artes poéticas como “esa” ou “ijala”.
Acrescentando, para seu entendimento de Ifá e do processo divinatório, um aspirante a
Babalawô precisa conhecer o sacrifício apropriado para cada odù. Ele também precisa adquirir um vasto conhecimento de ervas e conhecimento farmacêutico, com seu acompanhante repertório de simpatias e encantamentos. Assim, portanto, um Babalawô completo são homens de forte intelecto e julgamento.
Acima de tudo, o Babalawô não é somente um sacerdote, mas o guardião de toda a
herança cultural iorubá. Precisa aprender a memorizar os 256 odù, com suas intermináveis histórias ligadas a eles, e a aplicação prática delas. Ele deverá também aprender a prescrever o sacrifício apropriado e a preparação medicinal, junto com suas formulas mágicas. Todas estas habilidades levam muito tempo, concentração e energia.
Não há dúvida que os Babalawôs são muito inteligentes, mas eles não têm a pretensão de
saber tudo. Bascom (1969) descreve o Babalawô, como o melhor organizado e mais experiente religioso do país. Quando um Babalawô está em busca de conhecimento, ele pode consultar qualquer outro Babalawô, velhos ou jovens. Mesmo quando Òrúnmìlà estava vivo, uma vez que ele procurou o conhecimento de um de seus filhos.
Agba to moyi ko.moyi,
O ancião que não sabe uma coisa, pode não saber outra
A dia fun Òrúnmìlà,
Foi feito jogo para Òrúnmìlà
Ti yoo si tun ko dafa lodo
Quando ele ia aprender Ifá
Amosun re.
Com um dos seus seguidores
O trecho acima mostra como os Babalawôs são humildes e interessados. Babalawô
verdadeiro não finge saber tudo. Ele está sempre disposto a aprender mais em qualquer lugar e de qualquer pessoa. É uma atitude comum dos Babalawôs estarem sempre preparados para ensinar Ifá a qualquer um a qualquer momento. Quando um iniciado quer adquirir algum conhecimento sobre Ifá, ele se aproxima de um Babalawô e lhe pede. O Babalawô prontamente transmitirá o conhecimento.
Se um grupo de Babalawôs se reúne para uma assembleia, um festival ou uma cerimonia
onde existe a necessidade de cantar ese Ifá, cada membro, começando pelo Babalawô mais jovem, canta ou recita os poemas apropriados para a situação ou um odù que surgiu. Mas se o Babalawô que é chamado para o evento não sabe recitar Ifá, deve admitir com franqueza, que esqueceu ou que não conhece. As histórias mitológicas de Ifá são tão numerosas que uma única pessoa não pode dizer que conhece a todas. Isto é por que o Babalawô diz: “aboruboye, o ya ju iro lo” (confessar a ignorância é melhor que a prepotência).”
[Aqui encerramos a transcrição do texto de Ajayi]
NOTAS:
Refere-se à quantidade e não à hierarquia, pois acima dos Awo Olódù existem, em menor quantidade, os Awoni,
divinizadores do rei, e acima deles, o Araba.
Chief Idowu Obayomi (alias Afinju Babalawo) de Ijagba, Sagamu, Estado de Ogun, Nigéria, e o falecido Aladoun
de Ikirun, Estado de Oyo, Nigéria, são dois exemplos de Asawosesegun. (Bade Ijayi)
Idem nota. Traduzimos a partir do inglês.
Não confundir com o “odù ibi”, que é feito no ritual esèntáyé do recém-nascido.
Poemas de Ifá.
Ope (Òrúnmìlà) não é desonesto
Oniki ni o gbofa,
É o cantor que não é versado
Ohun
Tudo que perguntamos a Ifá
Nifa i so.
Ifá nos revela.
Se isso acontecer, é o Babalawô que "mal interpretou" a divindade. Qualquer pessoa que
passou pelos rigorosos testes de treinamento em Ifá, será hábil para solucionar os problemas dos seus clientes. O Babalawô baseará seu conhecimento no treinamento que adquiriu. Aqueles que usam formulas para encontrar os problemas ocultos de seus clientes não são verdadeiros Babalawôs, e de fato, eles não estão aptos para serem um. Esta classe de Babalawô (se existe), são desonestos e pagarão caro por isso.
É altamente recomendado a alguém que aspire ser Babalawô, receba treinamento
adequado de um versado e experiente Babalawô, para que ele possa estar habilitado para
assumir as responsabilidades de importantes posições que ele encontrará, mais tarde, na
comunidade.
Quando em treinamento, ao futuro babalawô será ensinado os signos dos odù, e aprenderá
guardar de memória um grande numero de ese Ifá (histórias) associadas com os odù,
começando com Ejìogbè ( o primeiro odù do corpus). Após o aprendizado das histórias
necessárias em cada um dos dezesseis principais odù, ele passa para as histórias dentro dos [240] odù menores (omo-odù). O estudo dos ese-Ifá requerem profunda concentração, caso contrário, o treinamento será um tempo perdido na repetição das histórias dos odù diversas vezes.
Em seu trabalho, Abimbola (1976, p. 18-24) descreve o sistema de treinamento e
iniciação de um futuro babalaô. Entretanto, há outros fatos que valem a pena conhecer, para entender melhor o processo de treinamento de um futuro babalawô.
Antes do iniciante colocar a sua mão sobre qualquer coisa, divinização é feita para ele
para saber o odù que está destinado a ele. O termo usual dos Babalawôs para este conceito é ‘odù tò bí enìkan’, o qual significa literalmente “odù que dá nascimento a alguém”
(neste caso,o treinamento).
É este odù que guiará o mestre Babalawô, a forma como treinará a pessoa. O estudante
começa seu aprendizado com a identificação dos signos de cada um dos dezesseis principais odù e um òpèlè [não oficial] é o melhor instrumento de instrução para este propósito.
O òpèlè usado para o treinamento é feito de pedaços de cabaça (paaakara), cuja
aparência é inferior ao òpèlè usado pelo Babalawô para divinização. O processo de aprender os signos de odù é chamado de sisi’pèlè (abrindo o òpèlè). Este termo deriva do fato de que o Babalawô Mestre manipula o òpèlè com as mãos para formar os origens da cada odù quando está ensinando seus estudantes.
É preciso anotar que apenas os principais odù são ensinados desta forma. Após o
estudante ter dominado os signos dos dezesseis odù, ele deverá ser examinado por seu
mestre, e alguns poucos Babalawôs. A performance do estudante determinará se ele irá para o aprendizado dos odù menores.
Assumindo que o estudante tenha dominado os [dezesseis] principais odù, ele começa
aprender os odù menores. Seu mestre agora usa o método de lançar o òpèlè [paaakara] para ensina-lo.
Com o [lançamento do] òpèlè, qualquer odu poderá surgir, e neste caso o estudante não
somente aprenderá os odù menores, mas também revisará os principais odù.
Um estudante aprende melhor assessorando seu mestre, quando ele (o mestre) diviniza
para seus clientes. O estudante aprende as histórias de cada odù e o tom correto que distingue os versos de Ifá de outras artes poéticas como “esa” ou “ijala”.
Acrescentando, para seu entendimento de Ifá e do processo divinatório, um aspirante a
Babalawô precisa conhecer o sacrifício apropriado para cada odù. Ele também precisa adquirir um vasto conhecimento de ervas e conhecimento farmacêutico, com seu acompanhante repertório de simpatias e encantamentos. Assim, portanto, um Babalawô completo são homens de forte intelecto e julgamento.
Acima de tudo, o Babalawô não é somente um sacerdote, mas o guardião de toda a
herança cultural iorubá. Precisa aprender a memorizar os 256 odù, com suas intermináveis histórias ligadas a eles, e a aplicação prática delas. Ele deverá também aprender a prescrever o sacrifício apropriado e a preparação medicinal, junto com suas formulas mágicas. Todas estas habilidades levam muito tempo, concentração e energia.
Não há dúvida que os Babalawôs são muito inteligentes, mas eles não têm a pretensão de
saber tudo. Bascom (1969) descreve o Babalawô, como o melhor organizado e mais experiente religioso do país. Quando um Babalawô está em busca de conhecimento, ele pode consultar qualquer outro Babalawô, velhos ou jovens. Mesmo quando Òrúnmìlà estava vivo, uma vez que ele procurou o conhecimento de um de seus filhos.
Agba to moyi ko.moyi,
O ancião que não sabe uma coisa, pode não saber outra
A dia fun Òrúnmìlà,
Foi feito jogo para Òrúnmìlà
Ti yoo si tun ko dafa lodo
Quando ele ia aprender Ifá
Amosun re.
Com um dos seus seguidores
O trecho acima mostra como os Babalawôs são humildes e interessados. Babalawô
verdadeiro não finge saber tudo. Ele está sempre disposto a aprender mais em qualquer lugar e de qualquer pessoa. É uma atitude comum dos Babalawôs estarem sempre preparados para ensinar Ifá a qualquer um a qualquer momento. Quando um iniciado quer adquirir algum conhecimento sobre Ifá, ele se aproxima de um Babalawô e lhe pede. O Babalawô prontamente transmitirá o conhecimento.
Se um grupo de Babalawôs se reúne para uma assembleia, um festival ou uma cerimonia
onde existe a necessidade de cantar ese Ifá, cada membro, começando pelo Babalawô mais jovem, canta ou recita os poemas apropriados para a situação ou um odù que surgiu. Mas se o Babalawô que é chamado para o evento não sabe recitar Ifá, deve admitir com franqueza, que esqueceu ou que não conhece. As histórias mitológicas de Ifá são tão numerosas que uma única pessoa não pode dizer que conhece a todas. Isto é por que o Babalawô diz: “aboruboye, o ya ju iro lo” (confessar a ignorância é melhor que a prepotência).”
[Aqui encerramos a transcrição do texto de Ajayi]
NOTAS:
Refere-se à quantidade e não à hierarquia, pois acima dos Awo Olódù existem, em menor quantidade, os Awoni,
divinizadores do rei, e acima deles, o Araba.
Chief Idowu Obayomi (alias Afinju Babalawo) de Ijagba, Sagamu, Estado de Ogun, Nigéria, e o falecido Aladoun
de Ikirun, Estado de Oyo, Nigéria, são dois exemplos de Asawosesegun. (Bade Ijayi)
Idem nota. Traduzimos a partir do inglês.
Não confundir com o “odù ibi”, que é feito no ritual esèntáyé do recém-nascido.
Poemas de Ifá.



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